Acerca do Respeito

Outubro 27, 2007 at 1:08 pm | In intolerância, respeito, violência | Leave a Comment

Joseph M. Marshall III
The Lakota Way
New York, Penguin Compass, 2002

Adaptado

Acerca do Respeito

O respeito assume muitas formas. Os Lakota, tal como as outras tribos da pradaria, dependiam dos bisontes para viver. A abundância de bisontes significava força e prosperidade, e os Lakota sentiam-se gratos por essa riqueza. Preparavam-se cuidadosamente antes das caçadas e realizavam cerimónias para pedir ao bisonte o privilégio de usar a sua carne. Depois da caçada, os caçadores agradeciam aos animais a dádiva das suas vidas e pediam-lhes perdão. Utilizavam também todas as partes do bisonte, porque o desperdício seria sinal de desrespeito. Sempre que um Lakota encontrava um crânio de bisonte, certificava-se de que este estava de frente para o sol nascente, para que o espírito do animal estivesse em uníssono com o ritmo da natureza.

O respeito por todas as formas de vida não é uma característica comum de muitas culturas contemporâneas. É mais fácil respeitar os mais fortes, os mais espertos, os mais ricos. E também é fácil respeitar os que se nos assemelham. Mas o respeito por alguém com crenças, indumentárias e costumes diferentes é bem difícil.

Na minha infância, aprendi com os meus avós uma enorme lição de respeito. Ambos se tinham voluntariado para limpar uma velha igreja rural. Uma manhã, fomos de carroça até lá, e passámos o dia todo a limpar a igreja. Varremos o chão, esfregámos, limpámos o pó, e lavámos as janelas. Mas também tínhamos de tirar de lá um enxame de abelhas. O meu avô fez uma fogueira no exterior do edifício, o que desalojou os insectos. Estes, contrariados, fartaram-se de mordê-lo. A minha avó apanhou com as mãos as abelhas que se tinham colado às janelas, tendo sido picada várias vezes. Mas não feriu nem matou nenhuma.

Quando o padre soube do sucedido, disse-lhes que deviam ter usado insecticida, já que as abelhas não passavam de insectos. Este episódio foi a lição mais dolorosa dos meus avós e lembro-me dele sempre que vejo uma abelha.

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