<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Olhares sobre a intolerância</title>
	<atom:link href="http://olharaintolerancia.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://olharaintolerancia.wordpress.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Wed, 10 Aug 2011 04:02:22 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='olharaintolerancia.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://s2.wp.com/i/buttonw-com.png</url>
		<title>Olhares sobre a intolerância</title>
		<link>http://olharaintolerancia.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://olharaintolerancia.wordpress.com/osd.xml" title="Olhares sobre a intolerância" />
	<atom:link rel='hub' href='http://olharaintolerancia.wordpress.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title>Amesterdão</title>
		<link>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/12/13/amesterdao/</link>
		<comments>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/12/13/amesterdao/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 13 Dec 2007 07:54:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[diferença]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[holocausto]]></category>
		<category><![CDATA[paz]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/12/13/amesterdao/</guid>
		<description><![CDATA[Ilse Losa À flor do tempo Porto, Edições Afrontamento, 1997 Amesterdão Prinsengracht, 263 Caminho entre casas e canais, sempre casas e canais, debaixo de uma chuva torrencial. As casas são altas e esguias, de uma nobreza sóbria, despidas de qualquer pompa, sem alardes, estranhamente genuínas. A multidão apressa-se pelos passeios estreitos. Foge da chuva. «Não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=44&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ilse Losa<br />
<em>À flor do tempo</em><br />
Porto, Edições Afrontamento, 1997</p>
<p><strong>Amesterdão</strong></p>
<p align="justify">Prinsengracht, 263</p>
<p align="justify">Caminho entre casas e canais, sempre casas e canais, debaixo de uma chuva torrencial. As casas são altas e esguias, de uma nobreza sóbria, despidas de qualquer pompa, sem alardes, estranhamente genuínas. A multidão apressa-se pelos passeios estreitos. Foge da chuva.</p>
<p align="justify">«Não aguento mais isto», oiço dizer, em espanhol, a uma senhora de casaquito leve e tacões pontiagudos.</p>
<p align="justify">Não posso deixar de sorrir do contraste que ela forma com as holandesas, de indumentária prática, de sapatões que fazem lembrar barcos, certas assim neste ambiente cinzento, de humidade quase fumegante.</p>
<p align="justify">Finalmente estou na Prinsengracht. Passo pela Westertoren, cujos sinos a Anne Frank muito apreciava e que lhe fizeram tanta falta quando, um dia, deixaram de tocar. «Os sinos da Westertoren já não tocam. Achava-os tão bonitos e calmantes».</p>
<p align="justify">Depois encontro-me em frente ao número 263, uma casa igualmente estreita, esguia e velha como todas as casas naquela rua, mas que se distin¬gue por uma tabuleta onde leio: «Anne Frank Huis» — a casa de Anne Frank.</p>
<p align="justify">Foi então aqui que ela entrou num dia de chuva como hoje: «Assim corremos, debaixo da chuva, a mãe, o pai e eu, cada um com uma pasta e uma saca de compras, completamente cheias, sabe Deus com quê». Foi também daqui que, dois anos mais tarde, saiu, empurrada pela Gestapo, para nunca mais voltar.</p>
<p align="justify">Entrei naquela casa, que me era familiar pelas minuciosas descrições de Anne. Subi a escada de poucos degraus, passei pela porta para o escritório «grande»&#8230;</p>
<p align="justify">Uma senhora holandesa veio ao meu encontro. Pediu-me para me juntar ao grupo já presente — gente nova vinda de várias partes do mundo para ver onde Arme Frank passara aqueles terríveis anos de isolamento. Dentro de poucos minutos eu estava em conversa com umas raparigas alemãs. Tinham vindo da cidade de Oldenburg, de propósito, para ver o esconderijo de Anne. Um casal de estudantes italianos, de mochila às costas, perguntou-me de onde eu vinha e se conhecia o diário de Anne.</p>
<p align="justify">A senhora holandesa, que falava várias línguas, conduziu-nos então pela casa toda. Não havia mobília, a casa estava em obras, os papéis tinham sido arrancados das paredes. Passámos pelos antigos escritórios onde trabalhavam a Miep, a Elli, o Sr. Koophuis&#8230; Os jovens conheciam todos os nomes das personagens e faziam inúmeras perguntas, a que a senhora respondia com paciência.</p>
<p align="justify">A cozinha, o corredor comprido, a escada de madeira que nos leva ao vestí¬bulo que acaba noutro corredor. E, finalmente, a porta para o «anexo» onde os Frank viveram escondidos durante dois anos. E uma escada íngreme, tão íngreme que custa a subi-la.</p>
<p align="justify">«A sala onde dormiam os pais de Anne e onde se tomavam as refeições», explica a senhora.</p>
<p align="justify">Ao lado, o quarto de Anne e do velho dentista — quarto estreitíssimo que me fez recordar as lutas pelo espaço que os dois travavam.</p>
<p align="justify">No chão, no sítio onde estivera a cama de Anne, viam-se ramos de flores com cartões, quase todos eles de turmas escolares. Um tinha vindo de uma escola na Alemanha.</p>
<p align="justify">Subimos para os quartos de cima, onde dormiam o casal Van Daan e Peter, seu filho. Um autêntico cubículo o quarto de Peter, onde ele e Anne falavam de amor, da vida lá de fora, dos planos do futuro&#8230; O som dos sinos entrava neste momento pela janelinha de onde se avistava a Westertoren.</p>
<p align="justify">Subimos também o escadote que dá para o sótão. Aqui Anne e Peter sentavam-se nos velhos escadotes, olhando os telhados da cidade.</p>
<p align="justify">Todo aquele «anexo» parecia-me muito mais acanhado e mais triste do que Anne o descrevera. Talvez fosse só impressão minha, por lhe faltar o mobiliário. Mas ao imaginar aquela habitação, toda ela cercada por muros e casas, fechada, de cortinas cerradas que só de noite se podiam afastar por uns curtos momentos, experimentei uma angústia fria, quase semelhante àquela que me invadiu quando visitei Dachau, onde a ferocidade humana atingira o máximo de requinte.</p>
<p align="justify">Os jovens agora falavam pouco; só faziam, de vez em quando, uma tímida pergunta: «Não era aqui que ela se sentava com o Peter?» «Era aqui onde escrevia?»</p>
<p align="justify">Descemos. Deixámos «Het Achterhuis», o anexo, e voltámos para a grande sala no edifício da frente. Aí, a senhora deu-nos ainda algumas explicações: «A casa foi oferecida pelo seu proprietário à Fundação Anne Frank, cujo projecto é transformar a parte da frente em centro de estudos para estudantes estrangeiros e o «anexo» em museu. Uma parte das despesas será coberta com a receita do <em>Diário</em>. Para o restante, a Fundação já conseguiu interessar grande número de pessoas, que fornecerão apoio e auxílio. Pretende-se com esta obra fazer lembrar ao mundo o sacrifício, o martírio e a dor de tantos que, como Anne, tiveram de morrer inocentemente, e divulgar os ideais expressos nas páginas de Anne. «Tenho de manter firme os meus ideais; talvez ainda os possa realizar nos tempos que hão-de vir».</p>
<p align="justify">Alguns dos visitantes queriam pagar à senhora os seus serviços.</p>
<p align="justify">«A mim não me devem nada. Mas se alguém quiser contribuir para o restauro da casa, encontrará uma caixa na sala da frente&#8230;»</p>
<p align="justify">Lá fora ainda chovia. A água do canal era agora verde-escuro. Despedimo-nos uns dos outros. Iríamos partir para diferentes partes do mundo. Mas alguma coisa ficava a unir-nos: a angústia dos anos passados e a do presente e também — disto tenho a certeza — a generosidade daquela criança que apesar de tanto ter sofrido, soube escrever: «Creio no que há de bom no homem».</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/olharaintolerancia.wordpress.com/44/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/olharaintolerancia.wordpress.com/44/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/olharaintolerancia.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/olharaintolerancia.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/olharaintolerancia.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/olharaintolerancia.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/olharaintolerancia.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/olharaintolerancia.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/olharaintolerancia.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/olharaintolerancia.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/olharaintolerancia.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/olharaintolerancia.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/olharaintolerancia.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/olharaintolerancia.wordpress.com/44/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/olharaintolerancia.wordpress.com/44/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/olharaintolerancia.wordpress.com/44/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=44&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/12/13/amesterdao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f30be565773667e3e27d4565c57043bd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">div. temas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Sobre os contos de Anne Frank</title>
		<link>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/12/13/sobre-os-contos-de-anne-frank/</link>
		<comments>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/12/13/sobre-os-contos-de-anne-frank/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 13 Dec 2007 07:49:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[anti-semitismo]]></category>
		<category><![CDATA[diferença]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[histórias]]></category>
		<category><![CDATA[holocausto]]></category>
		<category><![CDATA[intolerância]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/12/13/sobre-os-contos-de-anne-frank/</guid>
		<description><![CDATA[Ilse Losa À flor do tempo Porto, Edições Afrontamento, 1997 Sobre os contos de Anne Frank Há dias recebi a visita de um escritor holandês que faz parte da Fundação Anne Frank e é amigo pessoal do Sr. Otto Frank, o pai de Anne e único sobrevivente das oito pessoas que se tinham escondido no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=43&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ilse Losa<br />
<em>À flor do tempo</em><br />
Porto, Edições Afrontamento, 1997</p>
<p align="center"><strong>Sobre os contos de Anne Frank</strong></p>
<p align="justify">Há dias recebi a visita de um escritor holandês que faz parte da Fundação Anne Frank e é amigo pessoal do Sr. Otto Frank, o pai de Anne e único sobrevivente das oito pessoas que se tinham escondido no anexo da Prinsengracht para escaparem à selvajaria nazi. A nossa conversa caiu, como não podia deixar de ser, sobre Anne. O escritor que, durante o período da ocupação alemã na Holanda, fizera parte do movimento da resistência holandesa, disse com pesar:</p>
<p align="justify">— Ai, se tivéssemos conhecido Anne! Ter-lhe-íamos arranjado documentação falsa com que se pudesse movimentar sem dificuldade. Ajudámos tanta gente a salvar-se dessa maneira das garras dos alemães enlouquecidos! É doloroso pensar que Anne, rapariga dotada de um talento raro e de personalidade invulgar, não tenha recebido a nossa protecção. Mas era impossível termos conhecimento de todos esses infelizes que, desesperadamente, tentaram não se afundar no sangrento mar da carnificina nazi.</p>
<p align="justify">— Também acha então que Anne era um real talento? — perguntei.</p>
<p align="justify">— Mas sem dúvida! Provou-o mais que suficientemente no seu diário e nesses pequenos contos em que deu largas a uma fantasia admirável.</p>
<p align="justify">Sim, Anne não era uma dessas habilidosas meninas-prodígio que são a ostentação da família. Anne escrevia por necessidade e não a interessava ufanar-se com as suas produções. Vários dos seus contos, o próprio pai só chegou a conhecê-los depois de ter voltado do campo de concentração e quando lhe entregaram os cadernos de Anne.</p>
<p align="justify">No seu diário, Anne apontava o que via, ouvia e vivia, procurando ser exacta não só em relação à análise das pessoas com que contactava mas também em relação a si própria. Forneceu ao mundo um documento importante, e de tal forma importante que, na Alemanha, os funcionários dos serviços criados para a reparação dos danos causados aos judeus são obrigados a lê-lo para se compenetrarem da medonha injustiça cometida contra gente inocente e sem defesa. Nos seus contos, Anne transpõe a realidade que vivia para histórias de ficção, exprimindo, assim, uma verdade superior e transcendente. Nas figuras de Kaatje, de Eva, de Katrientje, do ursinho Blurry e em outras mais, reencontramos a angústia de Anne, presa numa casa de cortinas sempre cerradas, a sua solidão, o desejo de viver uma juventude a que tinha direito como todos os outros jovens, a saudade do ar livre, das árvores, das flores, dos canais de Amesterdão. Em todos os contos pressente-se a vida a que Anne aspira e da qual foi excluída. E o que me parece mais extraordinário é o facto de ela nunca exprimir nem ódio, nem inveja, nem mostrar espírito de vingança. Essa rapariguinha que tão bem via as qualidades e os defeitos das pessoas à sua volta, que conhecia os horrores dos bombardeamentos aéreos, que assistia a conversas sobre acontecimentos por vezes macabros, essa mesma rapariguinha conserva todas as características de uma adolescente que leva uma vida normal: o gosto pelas sílfides, pelas fadas e pelos gnomos, o amor aos animais e às colegas da escola e até o prazer de moralizar. No quarto apertado que tinha de partilhar com o dentista neurasténico, escreve sobre gente pobre a quem se deve não só dar de comer mas também calor humano; da urgência de sermos justos e da «felicidade que está sempre presente». Os contos de Anne Frank são a prova mais evidente do seu talento e da sua integridade.</p>
<p align="justify">No dizer do senhor Otto Frank, a edição portuguesa dos contos de Anne representa uma iniciativa única. Se em alguns dos países onde foram traduzidos, também houve a iniciativa de entregar a tradução a uma adolescente, nenhum editor, no entanto, se tinha lembrado ainda de recorrer à juventude para fornecer as ilustrações. Aqueles que têm pouca fé na juventude portuguesa talvez se espantem ao ficarem a saber que no concurso organizado para esse efeito participaram perto de 3.000 jovens. Para ilustrar o livro escolheram-se as pinturas e os desenhos premiados. Para dar uma ideia completa desta manifestação de solidariedade da juventude portuguesa para com uma rapariga, vítima da injustiça de um regime desumano que nem sequer soubera parar diante das crianças, a editorial realizou uma exposição pública de todas as ilustrações recebidas. É sem dúvida um acontecimento notável a registar neste nosso século, que alguém, que decerto não previra a matança dos inocentes, chegou a chamar «o século da criança».</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/olharaintolerancia.wordpress.com/43/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/olharaintolerancia.wordpress.com/43/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/olharaintolerancia.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/olharaintolerancia.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/olharaintolerancia.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/olharaintolerancia.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/olharaintolerancia.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/olharaintolerancia.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/olharaintolerancia.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/olharaintolerancia.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/olharaintolerancia.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/olharaintolerancia.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/olharaintolerancia.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/olharaintolerancia.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/olharaintolerancia.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/olharaintolerancia.wordpress.com/43/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=43&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/12/13/sobre-os-contos-de-anne-frank/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f30be565773667e3e27d4565c57043bd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">div. temas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Repensar o Holocausto</title>
		<link>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/11/21/repensar-o-holocausto/</link>
		<comments>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/11/21/repensar-o-holocausto/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Nov 2007 12:16:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[anti-semitismo]]></category>
		<category><![CDATA[diferença]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[holocausto]]></category>
		<category><![CDATA[intolerância]]></category>
		<category><![CDATA[paz]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/11/21/repensar-o-holocausto/</guid>
		<description><![CDATA[Stéphane Bruchfeld; Paul A. Levine « Dites-le à vos enfants » Histoire de la Shoa en Europe, 1933-1945 Paris, Éditions Ramsay, 2000 tradução adaptada Prefácio de Serge Klarsfeld* O ensino da Shoah (Holocausto em língua Iídiche) tornou-se indispensável. O Fórum Internacional de Estocolmo sobre a educação, a pesquisa e a memória da Shoah (26-28 de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=42&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Stéphane Bruchfeld; Paul A. Levine<br />
<em>« Dites-le à vos enfants » Histoire de la Shoa en Europe, 1933-1945</em><br />
Paris, Éditions Ramsay, 2000<br />
tradução adaptada</p>
<p><strong>Prefácio</strong> de Serge Klarsfeld*</p>
<p align="justify">O ensino da <em>Shoah</em> (Holocausto em língua Iídiche) tornou-se indispensável. O Fórum Internacional de Estocolmo sobre a educação, a pesquisa e a memória da <em>Shoah</em> (26-28 de Janeiro de 2000) veio confirmar a oportunidade da iniciativa tomada, há dois anos, pelo Primeiro Ministro Sueco Goram Persson: criar uma força de intervenção, uma “Task Force”, encarregada de promover este tipo de ensino em numerosos países. Os nove países integrantes da “Task Force”, Suécia, Estados Unidos, Reino Unido, Israel, Alemanha, Países Baixos, Itália, França e Polónia, reuniram diplomatas, especialistas, professores, organizações não-governamentais, para ajudar países menos avançados no conhecimento da <em>Shoah</em>. Trata-se principalmente de formar professores que saibam, por sua vez, formar gerações de alunos, de estudantes e de professores. Países como a República Checa, a Argentina, a Letónia, a Lituânia, a Ucrânia, a Bulgária, a Rússia, estão prontos para enveredar pelo mesmo caminho.<br />
A resolução comum, à qual se associaram os quarenta e seis países representados em Estocolmo, testemunha esta vontade pedagógica internacional de transmissão da memória da <em>Shoah</em>. Por aquela ocasião, o discurso do Primeiro Ministro francês, Lionel Jospin, em Estocolmo, exprimiu a mesma determinação: <em>O ensino da </em>Shoah<em>, a compreensão das causas que tornaram possível o Holocausto, a homenagem àqueles que o combateram, constitui um dever. Em França, subscrevemos plenamente este dever de memória e de educação. Se os governos tardaram em reconhecer a responsabilidade do Estado na perseguição e espoliação dos Judeus de França durante a Segunda Guerra Mundial, a obra realizada nestes últimos anos é muito importante… Temos a intenção de criar uma fundação cujo objectivo principal seja o ensino da </em>Shoah<em>. Uma tal fundação não terá relevância se a ajuda e a participação do Estado não lhe forem garantidas de uma forma duradoura. E sê-lo-ão.</em></p>
<p align="justify">Este discurso segue as mesmas linhas do discurso do Presidente da República, Jacques Chirac, a 16 de Julho de 1995, por ocasião da comemoração nacional da razia do “Vélodrome d’Hiver”, a 6 de Julho de 1942: <em>Essas horas negras conspurcaram para sempre a nossa história e são um insulto ao nosso passado e às nossas tradições. Sim, a loucura criminosa do ocupante foi secundada por cidadãos franceses, pelo Estado Francês… A França, pátria das Luzes e dos Direitos do Homem, terra de acolhimento e de asilo, praticou, naquele dia, o irreparável. Faltando à palavra, entregou aos carrascos os seus protegidos …<br />
Transmitir a memória do povo judeu, dos sofrimentos e dos campos de concentração, testemunhar sempre mais, reconhecer os erros do passado e os erros cometidos pelo Estado, não esconder nada das horas sombrias da nossa história, é defender uma ideia do homem, da sua liberdade e da sua dignidade. É lutar contra as forças obscuras, que actuam sem cessar.</em><br />
No dia 29 de Fevereiro de 2000, a Assembleia Nacional decidiu, por unanimidade, criar um dia nacional de comemoração “em memória das vítimas dos crimes racistas e anti-semitas do Estado Francês e em homenagem aos Justos de França.”<br />
Algumas pessoas, sem falar dos negacionistas, sentem-se incomodadas por esta emergência contínua da <em>Shoah</em> e pelo lugar que este acontecimento, pouco estudado durante décadas, tende a ocupar na história contemporânea. Segundo aquelas, trata-se de uma pretensão judaica à unicidade e à palma do martírio, ou então, de um “Massacre dos Inocentes” estatisticamente gigantesco, mas que não difere na sua natureza de massacres anteriores (Arménios) ou simultâneos (Ciganos) ou posteriores (Cambodja, Ruanda, Bósnia, Cosovo), ou supostamente, de um argumento destinado a ajudar à edificação ou ao reforço do Estado de Israel. Alguns consideram também que, com a mudança de século e de milénio, a história ficou definitivamente para trás, e que é preferível não regressar àquela imensa página negra do século XX, a última página do grande livro da perseguição aos Judeus entre o ano mil e o ano dois mil.</p>
<p align="justify">Militante da memória, há mais de trinta anos, como historiador e como homem de acção, gostaria de tentar responder a esta questão inevitável: porque será o ensino da <em>Shoah</em> tão indispensável?<br />
Aquilo que distingue a <em>Shoah</em> de todas as outras tragédias resulta da combinação de vários elementos.</p>
<p><strong>1 – É um drama da civilização europeia.</strong></p>
<p align="justify">O genocídio judaico é o resultado de uma operação essencialmente policial, levada a cabo em todo o território europeu, sob impulso alemão, e sempre com cumplicidades locais (à excepção dos países neutros, Espanha, Portugal, Suíça, Suécia, que foram indirectamente cúmplices, quanto mais não fosse, por terem procedido a repressões, recusado a passagem de vistos e, sobretudo, ajudado os países do Eixo na altura da vitória).</p>
<p><strong>2 – É um drama da civilização cristã.</strong></p>
<p align="justify">O povo que o nazismo procurou aniquilar é o mesmo que revelou ao mundo o monoteísmo e a Bíblia, o mesmo que deu origem ao cristianismo. Os seus valores morais foram transmitidos pelo cristianismo a todo o Ocidente, sobretudo o quinto mandamento: “Não matarás”. No entanto, a <em>Shoah</em> desenrolou-se sobre o continente europeu, onde, à excepção dos Judeus e de um pequeno número de muçulmanos, todos os habitantes eram cristãos, católicos, protestantes ou ortodoxos. O desprezo de que, durante tanto tempo, os Judeus foram alvo por parte da cristandade facilitou a tarefa dos organizadores da solução final da questão judaica: isso explica a indiferença por parte dos que não participaram nela, mas à qual nunca se opuseram.</p>
<p><strong>3 – É um drama da civilização ocidental.</strong></p>
<p align="justify">O genocídio foi concebido e organizado na Europa por um estado ocidental, o Estado Alemão, por um país, a Alemanha, um dos mais avançados do mundo, tanto do ponto de vista económico, social, administrativo, técnico e militar, como cultural e intelectual. Os grandes Aliados estão igualmente implicados, mesmo tendo corajosa e vitoriosamente lutado contra os países do Eixo: a Inglaterra, que fechou as portas da Palestina e deixou passar ao largo barcos carregados de Judeus; os Estados Unidos, que só muito discretamente abriram as suas portas e que nenhum esforço fizeram em 1938 para que a conferência de Évian encontrasse uma solução para o acolhimento maciço dos Judeus europeus.</p>
<p><strong>4 – É um drama, pela sua amplitude sem precedentes.</strong></p>
<p align="justify">Em menos de cinco anos, a destruição dos Judeus foi levada a cabo em dois terços, uma vez que, em cerca de nove milhões de Judeus, seis milhões pereceram. Se o Reich tivesse aguentado mais algum tempo, nenhum Judeu teria sido liberto. Se os nazis tivessem podido estender a sua influência a outros continentes, milhões de outros Judeus teriam sido exterminados. Lembremo-nos de que existiam, na época, seis milhões de Judeus fora da Europa.</p>
<p><strong>5 – É uma tragédia da modernidade.</strong></p>
<p align="justify">Confrontados com as dificuldades técnicas da eliminação simultânea de milhares de seres humanos, os nazis conceberam uma maquinaria industrial capaz de suprimir as suas vítimas em vastas câmaras de gás camufladas e munidas de fornos crematórios. Uma poderosa e racional organização administrativa, policial e diplomática, baseada na divisão do trabalho, grandes redes ferroviárias e os mais rápidos meios de comunicação (telex, telegramas, despachos, telefones) foram colocados ao serviço da solução final.</p>
<p><strong>6 – É um drama da natureza humana.</strong></p>
<p align="justify">Ao abrir perspectivas terríveis sobre a infinita capacidade do homem, supostamente organizado, de produzir o mal, a crueldade nazi não conhece limites. Ela ultrapassa tudo o que até ali se havia podido recear, enfraquecendo a confiança do homem em si próprio e revelando a sua profunda bestialidade.</p>
<p><strong>7 – É um drama indizível.</strong></p>
<p align="justify">Após a guerra, a <em>Shoah</em> não recebeu um nome. O processo de Nuremberga contra os criminosos nazis falou de “genocídio dos Judeus”. Com a guerra fria, o silêncio histórico e judicial caiu sobre o Holocausto, e é apenas com a decisão do governo de Israel de se encarregar de Adolf Eichmann e de levantar-lhe, em 1961, um processo histórico, o da solução final da questão judaica, que a <em>Shoah</em> (ou Holocausto) emerge da noite e do nevoeiro.</p>
<p><strong>8 – É um drama ameaçado de esquecimento ou de negação.</strong></p>
<p align="justify">Os negacionistas e outros falsificadores têm tentado apagá-la da história. Horrorizados por esta contestação infame cujo apogeu se situa no final dos anos setenta, os resgatados dos campos de extermínio e respectivos descendentes procuraram ripostar, reunindo a indispensável documentação sobre cada aspecto do Holocausto, recolhendo testemunhos, reforçando e renovando os centros de documentação já existentes, criando ainda novos centros mais poderosos. A geração dos resgatados, bem como a dos filhos dos deportados e dos sobreviventes, cumprem assim uma missão científica e moral, com desígnios à altura da tragédia: escrever o nome e a história de cada vítima. A <em>Shoah</em> deve representar, não os milhões de vítimas, mas cada uma delas em particular, a fim de que a todos sejam restituídos o seu estado civil, o seu itinerário, a sua dignidade. A fim de que todas possam sair do esquecimento e do anonimato. A fim de que, de objectos da História, estes nomes se tornem sujeitos da História.<br />
Porquê então um ensino da <em>Shoah</em>? Para se evitar, no Ocidente, o regresso da barbárie, qualquer que seja a sua forma. O genocídio judaico interpela a consciência universal devido à sua amplitude, ao que ele revelou de inquietante sobre o homem, e à sua incapacidade de impedir novos massacres e genocídios noutras regiões do mundo. O perigo é real, e a nossa vigilância, sem cair no alarmismo, deve ser permanente e preventiva. O racismo, a xenofobia e o anti-semitismo estão sempre presentes, e a extrema-direita continua a ser uma família política em actividade na Europa, mesmo fora dos tempos de crise. A <em>Shoah</em> é o verdadeiro produto daquilo que tais forças são capazes de gerar.<br />
O estudo do Holocausto, se passa por ser uma lição de história, é também uma lição de moral e de civismo, que ensina que o valor fundamental é o respeito absoluto pela pessoa humana. Será assim que os nossos jovens conseguirão, não só manter e reforçar, sob todos os seus aspectos, a democracia no Ocidente, mas também combater a desumanidade que ainda causa grandes estragos em amplas regiões do planeta.</p>
<p align="right">Serge Klarsfeld</p>
<p align="justify">*Serge Klarsfeld, advogado e historiador, é presidente da Associação dos Filhos e Filhas dos Deportados Judeus de França. Milita há trinta anos pelo julgamento dos crimes contra a humanidade.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/olharaintolerancia.wordpress.com/42/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/olharaintolerancia.wordpress.com/42/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/olharaintolerancia.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/olharaintolerancia.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/olharaintolerancia.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/olharaintolerancia.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/olharaintolerancia.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/olharaintolerancia.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/olharaintolerancia.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/olharaintolerancia.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/olharaintolerancia.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/olharaintolerancia.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/olharaintolerancia.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/olharaintolerancia.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/olharaintolerancia.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/olharaintolerancia.wordpress.com/42/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=42&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/11/21/repensar-o-holocausto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f30be565773667e3e27d4565c57043bd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">div. temas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>O balde</title>
		<link>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/10/30/o-balde/</link>
		<comments>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/10/30/o-balde/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 30 Oct 2007 09:30:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[cólera]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[histórias]]></category>
		<category><![CDATA[intolerância]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/10/30/o-balde/</guid>
		<description><![CDATA[O balde Um velho camponês observava, descontente, um jovem que construía uma cabana perto do seu arrozal. — Pergunto-me de onde veio — disse à mulher, nessa mesma noite. — Não é daqui da terra. A julgar pelas roupas, é originário das montanhas. Que vem fazer para aqui? Isto não me agrada nada. Isto não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=41&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"><strong><font face="Times New Roman">O balde</font></strong></span><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></span><span style="font-size:13.5pt;line-height:150%;"></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Um velho camponês observava, descontente, um jovem que construía uma cabana perto do seu arrozal. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Pergunto-me de onde veio — disse à mulher, nessa mesma noite. — Não é daqui da terra. A julgar pelas roupas, é originário das montanhas. Que vem fazer para aqui? Isto não me agrada nada. Isto não me agrada mesmo nada… </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Porque não vais cumprimentá-lo amanhã? — aconselhou-o a mulher. — Dá-lhe as boas vindas. De certeza que não conhece ninguém por estes lados. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Nem penses nisso — ripostou o camponês. — Não sabes que os habitantes das montanhas são todos uns ladrões? Ignoremo-lo. Com sorte, talvez até se vá embora. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Todos os dias, o camponês trabalhava no arrozal. Com a água pela barriga das pernas, arrancava as ervas daninhas e punha-as num balde. Uma manhã, descobriu que o balde não estava no sítio do costume. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Eu sabia — vociferava, enquanto levantava a cama e espreitava por detrás do armário. — Eu sabia. O homem roubou-me. Roubou o meu balde!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A mulher perguntou-lhe:\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Quem te roubou o balde?\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Ora quem! — sussurrou o homem — O montanhês!\u003c/font\&amp;gt;\n\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Ninguém te roubou nada — assegurou a mulher. — Sabes muito bem que passas a vida a perder tudo. Procura bem o balde e acabarás por o encontrar!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Mas o camponês não lhe deu ouvidos. Saiu de casa à socapa e foi espiar o vizinho. O jovem estrangeiro cuidava tranquilamente das suas tarefas, mas o camponês achou que ele tinha um ar suspeito.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Não há dúvida — disse para consigo, semicerrando os olhos enquanto observava o montanhês. — Tem ar de ladrão de baldes, anda como um ladrão de baldes: é um ladrão de baldes!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Bom-dia, vizinho — saudou-o o jovem, ao aperceber-se de que o camponês o espreitava por detrás de uma árvore.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;",1] );  //--><font face="Times New Roman">— Eu sabia — vociferava, enquanto levantava a cama e espreitava por detrás do armário. — Eu sabia. O homem roubou-me. Roubou o meu balde! </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A mulher perguntou-lhe:</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Quem te roubou o balde?</font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Ora quem! — sussurrou o homem — O montanhês!</font> </span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Ninguém te roubou nada — assegurou a mulher. — Sabes muito bem que passas a vida a perder tudo. Procura bem o balde e acabarás por encontrá-lo! </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Mas o camponês não lhe deu ouvidos. Saiu de casa à socapa e foi espiar o vizinho. O jovem estrangeiro cuidava tranquilamente das suas tarefas, mas o camponês achou que ele tinha um ar suspeito. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Não há dúvida — disse para consigo, semicerrando os olhos enquanto observava o montanhês. — Tem ar de ladrão de baldes, anda como um ladrão de baldes: é um ladrão de baldes! </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Bom-dia, vizinho — saudou-o o jovem, ao aperceber-se de que o camponês o espreitava por detrás de uma árvore. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><!-- D(["mb","\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O velho fugiu a correr. Quando chegou junto da mulher, disse-lhe, esbaforido:\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Estás a ver, até me cumprimenta para que não desconfie dele. É mesmo arrogante! Desafia-me! Ri-se de mim!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;O camponês barricou-se em casa com a mulher, as dez galinhas e os três porcos.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Meu pobre amigo — disse-lhe a mulher, abrindo a porta — perdeste mesmo a cabeça!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Mas — gemeu o camponês — agora que tem o meu balde, vai querer tudo o que eu tenho. E ainda não te disse tudo — acrescentou o homem, batendo os dentes. — Quando não são ladrões, os montanheses são assassinos!\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;A mulher encolheu os ombros e foi dedicar-se às tarefas do dia.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Ao cair da tarde, o camponês saiu de casa para beber água do poço. E o que viu ele, pousado no parapeito do poço? O seu balde! Lembrava-se agora que tinha ido buscar água para dar de beber aos animais. Tinha-se esquecido completamente de pôr o balde no lugar.\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 4pt;line-height:150%;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:11.5pt;line-height:150%\"\&amp;gt;",1] );  //--><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O velho fugiu a correr. Quando chegou junto da mulher, disse-lhe, esbaforido: </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Estás a ver, até me cumprimenta para que não desconfie dele. É mesmo arrogante! Desafia-me! Ri-se de mim! </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">O camponês barricou-se em casa com a mulher, as dez galinhas e os três porcos. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Meu pobre amigo — disse-lhe a mulher, abrindo a porta — perdeste mesmo a cabeça! </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">— Mas — gemeu o camponês — agora que tem o meu balde, vai querer tudo o que eu tenho. E ainda não te disse tudo — acrescentou o homem, batendo os dentes. — Quando não são ladrões, os montanheses são assassinos! </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">A mulher encolheu os ombros e foi dedicar-se às tarefas do dia. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><font face="Times New Roman">Ao cair da tarde, o camponês saiu de casa para beber água do poço. E o que viu ele, pousado no parapeito do poço? O seu balde! Lembrava-se agora que tinha ido buscar água para dar de beber aos animais. Tinha-se esquecido completamente de pôr o balde no lugar. </font></span></p>
<p style="line-height:150%;text-align:justify;margin:0 0 4pt;"><span style="font-size:11.5pt;line-height:150%;"><!-- D(["mb","\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;— Mas — repetia para si mesmo, envergonhado — o montanhês tinha mesmo ar de ladrão…\n\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:justify\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt; \u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;\n\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Johanna Marin Coles; Lydia Marin Ross\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003ci\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;L&#39;Alphabet de la Sagesse\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/i\&amp;gt;\n\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003cspan style\u003d\"font-size:9.5pt\"\&amp;gt;\u003cfont face\u003d\"Times New Roman\"\&amp;gt;Paris, Albin Michel Jeunesse, 1999\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\n\u003cp style\u003d\"margin:0cm 0cm 0pt;text-align:right\" align\u003d\"right\"\&amp;gt;\u003c/p\&amp;gt;\u003c/font\&amp;gt;\u003c/span\&amp;gt;\n",0] ); D(["ce"]);  //--><font face="Times New Roman">— Mas — repetia para si mesmo, envergonhado — o montanhês tinha mesmo ar de ladrão… </font></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;">&nbsp;</p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"></span></p>
<p><span style="font-size:9.5pt;"></span><span style="font-size:9.5pt;"></span><span style="font-size:9.5pt;"></span><span style="font-size:9.5pt;"></span><span style="font-size:9.5pt;"></span><span style="font-size:9.5pt;"></span><span style="font-size:9.5pt;"></span><span style="font-size:9.5pt;"></span><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman"></p>
<p align="right" style="text-align:right;margin:0;"><span style="font-size:9.5pt;"><font face="Times New Roman">Johanna Marin Coles</font></span></p>
<p align="left" style="text-align:left;margin:0;"><span style="font-size:11pt;"></span></p>
<p align="left" style="text-align:left;margin:0;"><span style="font-size:11pt;">Retirado de: <a href="http://espacoesperanca.wordpress.com/">Caminhos para a paz</a></span></p>
<p></font></span></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/olharaintolerancia.wordpress.com/41/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/olharaintolerancia.wordpress.com/41/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/olharaintolerancia.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/olharaintolerancia.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/olharaintolerancia.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/olharaintolerancia.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/olharaintolerancia.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/olharaintolerancia.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/olharaintolerancia.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/olharaintolerancia.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/olharaintolerancia.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/olharaintolerancia.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/olharaintolerancia.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/olharaintolerancia.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/olharaintolerancia.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/olharaintolerancia.wordpress.com/41/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=41&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/10/30/o-balde/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f30be565773667e3e27d4565c57043bd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">div. temas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Acerca do Respeito</title>
		<link>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/10/27/acerca-do-respeito/</link>
		<comments>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/10/27/acerca-do-respeito/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 27 Oct 2007 13:08:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[intolerância]]></category>
		<category><![CDATA[respeito]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/10/27/acerca-do-respeito/</guid>
		<description><![CDATA[Joseph M. Marshall III The Lakota Way New York, Penguin Compass, 2002 Adaptado Acerca do Respeito O respeito assume muitas formas. Os Lakota, tal como as outras tribos da pradaria, dependiam dos bisontes para viver. A abundância de bisontes significava força e prosperidade, e os Lakota sentiam-se gratos por essa riqueza. Preparavam-se cuidadosamente antes das [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=40&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Joseph M. Marshall III<br />
<em>The Lakota Way</em><br />
New York, Penguin Compass, 2002</p>
<p><em>Adaptado</em></p>
<p><strong>Acerca do Respeito</strong></p>
<p align="justify" style="text-indent:0;">O respeito assume muitas formas. Os Lakota, tal como as outras tribos da pradaria, dependiam dos bisontes para viver. A abundância de bisontes significava força e prosperidade, e os Lakota sentiam-se gratos por essa riqueza. Preparavam-se cuidadosamente antes das caçadas e realizavam cerimónias para pedir ao bisonte o privilégio de usar a sua carne. Depois da caçada, os caçadores agradeciam aos animais a dádiva das suas vidas e pediam-lhes perdão. Utilizavam também todas as partes do bisonte, porque o desperdício seria sinal de desrespeito. Sempre que um Lakota encontrava um crânio de bisonte, certificava-se de que este estava de frente para o sol nascente, para que o espírito do animal estivesse em uníssono com o ritmo da natureza.</p>
<p align="justify" style="text-indent:0;">O respeito por todas as formas de vida não é uma característica comum de muitas culturas contemporâneas. É mais fácil respeitar os mais fortes, os mais espertos, os mais ricos. E também é fácil respeitar os que se nos assemelham. Mas o respeito por alguém com crenças, indumentárias e costumes diferentes é bem difícil.</p>
<p align="justify" style="text-indent:0;">Na minha infância, aprendi com os meus avós uma enorme lição de respeito. Ambos se tinham voluntariado para limpar uma velha igreja rural. Uma manhã, fomos de carroça até lá, e passámos o dia todo a limpar a igreja. Varremos o chão, esfregámos, limpámos o pó, e lavámos as janelas. Mas também tínhamos de tirar de lá um enxame de abelhas. O meu avô fez uma fogueira no exterior do edifício, o que desalojou os insectos. Estes, contrariados, fartaram-se de mordê-lo. A minha avó apanhou com as mãos as abelhas que se tinham colado às janelas, tendo sido picada várias vezes. Mas não feriu nem matou nenhuma.</p>
<p align="justify" style="text-indent:0;">Quando o padre soube do sucedido, disse-lhes que deviam ter usado insecticida, já que as abelhas não passavam de insectos. Este episódio foi a lição mais dolorosa dos meus avós e lembro-me dele sempre que vejo uma abelha.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/olharaintolerancia.wordpress.com/40/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/olharaintolerancia.wordpress.com/40/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/olharaintolerancia.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/olharaintolerancia.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/olharaintolerancia.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/olharaintolerancia.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/olharaintolerancia.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/olharaintolerancia.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/olharaintolerancia.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/olharaintolerancia.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/olharaintolerancia.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/olharaintolerancia.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/olharaintolerancia.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/olharaintolerancia.wordpress.com/40/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/olharaintolerancia.wordpress.com/40/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/olharaintolerancia.wordpress.com/40/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=40&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/10/27/acerca-do-respeito/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f30be565773667e3e27d4565c57043bd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">div. temas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Diálogo e respeito mútuo</title>
		<link>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/28/dialogo-e-respeito-mutuo/</link>
		<comments>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/28/dialogo-e-respeito-mutuo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 28 Sep 2007 06:09:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[cólera]]></category>
		<category><![CDATA[diferença]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[intolerância]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>
		<category><![CDATA[injustiça]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/28/dialogo-e-respeito-mutuo/</guid>
		<description><![CDATA[Além-Mar Maio 2004 Diálogo e respeito mútuo Primeiro foi o 11 de Setembro em Nova Iorque. Depois, após umas incursões por países longínquos, cujas ondas de choque pouco nos impressionaram, foi o 11 de Março, em Madrid. E, de repente, depois de tantos anos de auto-suficiência e de requintados serviços de vigilância, percebemos que afinal [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=39&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Além-Mar</em><br />
Maio 2004</p>
<p align="center"><strong>Diálogo e respeito mútuo</strong></p>
<p align="justify">Primeiro foi o 11 de Setembro em Nova Iorque. Depois, após umas incursões por países longínquos, cujas ondas de choque pouco nos impressionaram, foi o 11 de Março, em Madrid.</p>
<p align="justify">E, de repente, depois de tantos anos de auto-suficiência e de requintados serviços de vigilância, percebemos que afinal ninguém está seguro em lado nenhum. O pânico e o medo aumentaram um sentimento difuso de ansiedade e angústia, já agudizado por novos riscos, novas doenças, novas catástrofes ambientais, novos perigos de alimentos contaminados.</p>
<p align="justify">O pânico não é o mais propício para uma avaliação objectiva da realidade. E o medo nunca foi bom conselheiro. De qualquer modo, em vez das reacções imediatistas, impostas pela agressividade e defesa irracional da nossa territorialidade geográfica, mas sobretudo cultural, esta é uma oportunidade para olharmos à nossa volta e não só percebermos que não somos os únicos habitantes do planeta nem as únicas sociedades com valores, mas também para procurarmos apreender as causas profundas de tais brutalidades e das possíveis culpas nossas no seu aparecimento.</p>
<p align="justify">Talvez estes massacres nos ajudem a tomar consciência dos muitos crimes que fomos cometendo ou deixámos que acontecessem ao longo da história: o comércio de escravos africanos pelos portugueses e outros, o genocídio de incas e astecas pelos espanhóis, o massacre dos aborígenes da Tasmânia pelos ingleses, a eliminação dos índios pelos americanos, a destruição do povo herero, da Namíbia, pelos alemães, os milhões de mortos nos Gulags estalinistas e nos campos de morte nazis, os dois milhões de mortos pelos kmers vermelhos, o milhão do genocídio ruandês ou os 300 mil timorenses. Isto para não falar das tentativas «caseiras» de limpeza étnica ou política: dos arménios, dos curdos, dos chechenos, na ex-Jugoslávia, ou dos milhares que por esse mundo fora todos os dias deixamos morrer à fome. Afinal não somos muito mais civilizados do que esses terroristas que matam, a sangue-frio, milhares de inocentes. Quantos não matámos nós por razões económicas, por interesses políticos ou por simples indiferença?</p>
<p align="justify">Talvez os recentes crimes nos façam perceber que a vítima americana não é mais pessoa que o ruandês que deixámos massacrar, que sempre que morre uma pessoa, em qualquer canto do mundo e independentemente da sua cor ou religião, é sempre uma perda irreparável para a humanidade. Talvez consigamos perceber que todas as pessoas contam igualmente. E que, havendo atrás de cada pessoa uma cultura, a humanidade será mais rica se partilhar todos esses bens culturais, respeitando-os e promovendo-os na diversidade das diferenças, até porque todas as culturas são incompletas e têm debilidades próprias. E sem o reconhecimento dessas limitações nunca será possível o diálogo intercultural honesto e fecundo.</p>
<p align="justify">Então, o caminho não pode ser o da imposição dos nossos valores para substituir os dos outros, o que só pode conduzir a uma «canibalização cultural». Tem de ser o do diálogo entre todas as culturas. Só assim, no respeito mútuo, será possível eliminar ou, pelo menos, limitar as condições geradoras de terroristas dispostos a dar a vida para espalhar a morte e, talvez assim, contestar um Ocidente que nunca os levou a sério, que passou a história a impor soluções que não incluíam os legítimos ideais desses povos, ignorando-os ou até humilhando-os.</p>
<p align="justify">Bastará olhar para a partilha de África feita a régua e esquadro numa longínqua cidade da Europa central, ou a (não) solução para o Médio Oriente, ou a divisão entre a Índia e o Paquistão. Para não citar exemplos bem recentes onde a mentira teve um papel determinante.</p>
<p align="justify">É, pois, tempo de os políticos darem lugar aos sábios. É tempo de os militaristas darem lugar aos amantes da paz e da dignidade das pessoas e dos povos. É tempo de o diálogo substituir o ruído ensurdecedor das armas. É tempo de afirmar e respeitar a igual dignidade de todos, pessoas e povos, o seu direito ao desenvolvimento próprio, à sua cultura, à sua existência reconhecida internacionalmente, à sua parte dos bens deste mundo, criados para uso de todos.</p>
<p align="justify">Talvez também possamos perceber que a nossa cultura de absolutização do dinheiro é (pode ser) um grande aliado dos terroristas, ao permitir-lhes dispor de financiamento com esquemas de branqueamento de dinheiros, com os paraísos fiscais, onde todos os dias passam milhões de dólares que ninguém quer controlar. Só nas ilhas Caimão, o maior centro de off-shore do mundo, circulam 15 milhões de milhões de dólares por ano.</p>
<p align="justify">Com as injustiças históricas que cometemos e as facilidades organizativas que a nossa idolatria pelo dinheiro proporciona, não estarão criadas condições objectivas para o terrorismo?</p>
<p align="right">José Dias da Silva</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/olharaintolerancia.wordpress.com/39/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/olharaintolerancia.wordpress.com/39/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/olharaintolerancia.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/olharaintolerancia.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/olharaintolerancia.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/olharaintolerancia.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/olharaintolerancia.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/olharaintolerancia.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/olharaintolerancia.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/olharaintolerancia.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/olharaintolerancia.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/olharaintolerancia.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/olharaintolerancia.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/olharaintolerancia.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/olharaintolerancia.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/olharaintolerancia.wordpress.com/39/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=39&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/28/dialogo-e-respeito-mutuo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f30be565773667e3e27d4565c57043bd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">div. temas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Homossexualidade &#8211; O ódio à diferença</title>
		<link>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/homossexualidade-o-odio-a-diferenca/</link>
		<comments>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/homossexualidade-o-odio-a-diferenca/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 Sep 2007 17:45:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[diferença]]></category>
		<category><![CDATA[intolerância]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>
		<category><![CDATA[homossexualidade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/homossexualidade-o-odio-a-diferenca/</guid>
		<description><![CDATA[Além-mar Maio 2006 O ódio à diferença Um pouco por todo o mundo, homossexuais são assassinados, presos, maltratados, discriminados. A homofobia é uma manifestação de ódio à diferença, mas sobretudo um atentado à dignidade da pessoa, uma violação da Declaração Universal dos Direitos Humanos e um desrespeito pelo Evangelho. Onde Jesus diz claramente, sem sés [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=38&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><font size="2"><em>Além-mar</em><br />
Maio 2006</p>
<p><strong>O ódio à diferença</strong></p>
<p></font></p>
<p align="justify"><em>Um pouco por todo o mundo, homossexuais são assassinados, presos, maltratados, discriminados. A homofobia é uma manifestação de ódio à diferença, mas sobretudo um atentado à dignidade da pessoa, uma violação da Declaração Universal dos Direitos Humanos e um desrespeito pelo Evangelho. Onde Jesus diz claramente, sem sés nem mas: «Ama o próximo como a ti mesmo.»</em></p>
<p></font></p>
<p align="justify">«Agarrámos nele e assestámos-lhe uns valentes golpes, mas ele continuava a cantar. [...] Passámos-lhe uma rasteira, ele caiu pesadamente e lançou um imenso vómito de cerveja. Era algo de repugnante, por isso cada um de nós lhe deu um pontapé e então já era sangue, não canções nem vómito, o que lhe saía da velha boca nojenta. Depois, seguimos o nosso caminho.»</p>
<p align="right">In <em>“Uma Laranja Mecânica”</em></p>
<p></font></p>
<p align="justify">O inglês Anthony Burgess escreveu o romance «Uma Laranja Mecânica» em 1962 e Stanley Kubrick imortalizou-o no cinema em 1971. Burgess situou-o então num futuro não muito distante e nele conta a história de um grupo de adolescentes que se entregam a actos de violência gratuita, forma por eles escolhida para se insurgirem contra a sociedade conformista em que viviam. Nesta cena, o alvo da violência é um velho alcoólico com quem os quatro adolescentes se cruzam nas suas deambulações nocturnas. E é quase impossível não pensar que o que para Burgess era futuro para nós é já presente, quando lemos ou ouvimos notícias como a da morte de Gisberta às mãos de um grupo de adolescentes com idades compreendidas entre os 13 e os 16 anos, no Porto. Gisberta, um transexual brasileiro de 46 anos, sem-abrigo, toxicodependente e portador do vírus da sida, foi alvo de espancamento, sevícias sexuais e, por fim, lançado a um poço, onde o seu corpo só foi encontrado no dia seguinte.</p>
<p></font></p>
<p align="justify">«As minorias são em geral alvos fáceis para actos de humilhação ou agressão», afirmou à Além-Mar Cláudia Pedra, directora da Secção Portuguesa da Amnistia Internacional. «Pior quando se juntam várias minorias numa só pessoa, pois isso gera várias discriminações ao mesmo tempo. Neste caso, era um indivíduo sem-abrigo, um travesti e ninguém queria saber nada dele, só quiseram saber quando morreu. E aquelas crianças, que certamente já tinham passado por muitas coisas antes para chegarem àquele ponto, pensavam que o que estavam a fazer não era errado.»</p>
<p><strong>Morte, prisão e tortura</strong></p>
<p></font></p>
<p align="justify">A homossexualidade sempre existiu. Para não irmos mais longe, era prática aceite e corrente na Grécia Antiga. Hoje em dia, a homossexualidade é mais ou menos tolerada consoante o tipo de sociedade onde se insere, o que dita os actos de discriminação e mesmo de abusos contra os cidadãos unicamente por causa da sua orientação sexual.</p>
<p></font></p>
<p align="justify">«Os países do Sul são piores do que os países do Norte relativamente à discriminação dos homossexuais», referiu Cláudia Pedra. «Nos países onde existe a cultura do “macho”, é especialmente perigoso para uma pessoa assumir-se e tentar viver sem ser discriminado. Nos países onde a sexualidade de uma forma geral é encarada mais livremente, não existem tantas situações de discriminação. Mas é difícil encontrar um país onde não haja nenhuma.»</p>
<p></font></p>
<p align="justify">Segundo a Wikipédia – a tal «enciclopédia livre e gratuita, feita por pessoas como você» na Internet (o que significa que deve haver alguma prudência em relação aos dados apresentados) – existem ainda países que punem a homossexualidade com a pena de morte. São eles o Afeganistão, a Arábia Saudita, o Iémen, o Irão e o Sudão. Um número considerável de países pune a homossexualidade com prisão, alguns (sobretudo Estados muçulmanos) com castigos físicos e há ainda aqueles onde uma orientação sexual por indivíduos do mesmo sexo é reprimida pelas entidades oficiais. São estes, ainda de acordo com a mesma fonte, o Burundi, Cuba e o Egipto.</p>
<p></font></p>
<p align="justify">Em Cuba, onde «maricón» continua a ser um insulto merecedor de um sinal sonoro quando é proferido na rádio ou televisão, a perseguição aos homossexuais começou nos anos 60 e 70, com detenções maciças e o transporte para as chamadas Unidades Militares de Ajuda à Produção (UMAP), onde se supunha que os trabalhos agrícolas que os obrigavam a executar os «transformariam em homens». Essas unidades já não existem e o Código Penal aprovado em 1979 descriminaliza a homossexualidade. No entanto, os homossexuais que causem «escândalo público» podem ainda ser punidos com penas que vão até aos 12 meses de prisão.</p>
<p></font></p>
<p align="justify">No México, onde o machismo continua a influenciar as atitudes públicas ou privadas contra os homossexuais – herança em parte de uma cultura azteca que executava e seviciava os homossexuais, ao mesmo tempo que oferecia sacrifícios humanos aos deuses –, os homens efeminados são particularmente vulneráveis, bem como os travestis. Os actos de violência contra este grupo populacional são frequentes e têm muitas vezes as marcas das próprias autoridades. Um exemplo bastas vezes referido é o dos 15 travestis assassinados entre Junho de 1991 e Janeiro de 1993, depois de terem ousado desafiar uma lei estadual de Chiapas, de 1990, proibindo que os homens se vestissem de mulheres em nome da «saúde pública». A maioria dos homicídios foi levada a cabo com armas de calibre reservado ao exército e à polícia federal e estadual.</p>
<p></font></p>
<p align="justify">O México é o segundo país do mundo com mais assassínios de gays por ano, logo depois do Brasil: 35, de acordo com os números oficiais; três vezes mais, segundo outras fontes. No Brasil, de acordo com Luís Mott, antropólogo e presidente do Grupo Gay da Baía, a homofobia é uma verdadeira «epidemia nacional» e «cada três dias um homossexual é barbaramente assassinado». De resto, um estudo realizado pela UNESCO entre os jovens de Brasília permitiu concluir que apenas 12 por cento consideravam crime humilhar os travestis, prostitutas e homossexuais.</p>
<p><strong>Um tabu «africano»</strong></p>
<p></font></p>
<p align="justify">Também na África a homossexualidade é em grande medida praticada às escondidas. «Tanto a norte como a sul do Sara, a lei e mais ainda a sociedade tornaram-se amplamente hostis a práticas sexuais que a tradição por vezes admite», escrevia a revista Jeune Afrique de Setembro último, num trabalho sobre o que é «Ser gay em África».</p>
<p></font></p>
<p align="justify">Em Março último, dois estudantes dos Camarões foram condenados a um ano de prisão depois de terem admitido publicamente serem amantes. No Uganda, activistas dos direitos das minorias sexuais do país vêem as suas casas ser alvo de buscas policiais sem mandado. E, no Zimbabué, o presidente Robert Mugabe garante que «a homossexualidade é uma tara dos brancos». Isto num país cujo primeiro presidente, o ministro metodista Canaan Banana (1980-87), viria a ser condenado em 1999 por práticas sexuais com outros homens, alguns deles elementos da sua guarda pessoal.</p>
<p></font></p>
<p align="justify">Na África negra, a excepção parece ser a África do Sul, onde os casamentos entre pessoas do mesmo sexo foram recentemente admitidos. Em Dezembro último, o Tribunal Constitucional ordenou que a definição de casamento deixe de ser uma «união entre um homem e uma mulher» para passar a ser uma «união entre duas pessoas». A África do Sul tornou-se assim o primeiro país em África e o quinto em todo o mundo a legalizar os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Também na África árabe a homossexualidade é reprimida. Quando não é especificamente proibida por lei, os gays podem ser perseguidos pela justiça por «deboche» ou «prostituição», como no caso do Egipto, o que pode ser punido com três anos de prisão. Muitas vezes são as próprias famílias que não aceitam e expulsam de casa o jovem homossexual que, uma vez na rua, acaba no engate e na prostituição.</p>
<p><strong>Discriminação e humilhação</strong></p>
<p></font></p>
<p align="justify">A Declaração Universal dos Direitos Humanos não faz referências específicas à homossexualidade. Mas garante que «todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos» e que «toda a gente tem direito a todos os direitos e liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer tipo, seja ela de raça, sexo, língua, religião, política ou de opinião, de origem nacional ou social, bens, nascimento ou outro estatuto». Além do mais, «toda a gente tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal».</p>
<p></font></p>
<p align="justify">É com base nesta Declaração que as organizações que defendem os direitos dos homossexuais desenvolvem o seu trabalho. A Amnistia Internacional, por exemplo, considera que, tal como a cor, o sexo ou a religião, as preferências sexuais de uma pessoa fazem parte integrante e fundamental da sua identidade. «A nossa abordagem à comunidade homossexual assenta no facto de serem uma minoria que tem sido especialmente vítima de discriminação no que se refere aos direitos humanos. Em muitos países do mundo, os gays são assassinados, presos e torturados sem terem cometido qualquer crime, unicamente por serem gays», afirmou a mesma responsável da Secção Portuguesa da Amnistia Internacional. «Por isso, para nós, são prisioneiros de consciência.»</p>
<p></font></p>
<p align="justify">Para Cláudia Pedra, os actos de humilhação e agressão aos homossexuais têm a ver «com os estereótipos da sociedade» e também com o facto de a «comunidade homossexual viver há muito tempo escondida. Há pouco contacto com o público em geral, que tem tendência para rejeitar e ter medo do que é diferente. A ignorância e o preconceito assumem por vezes formas de violência». A discriminação dos homossexuais é frequente no mundo do trabalho: «Se um gay procurar emprego como engenheiro, por exemplo, tem grandes hipóteses de não ser aceite. Claro que a justificação dada pelo patrão nunca será a orientação sexual do indivíduo.»</p>
<p></font></p>
<p align="justify">E as agressões e humilhações podem ser muito variadas. Não são apenas os espancamentos. As anedotas que se contam, as imitações de gestos comuns em certo tipo de gays, os insultos, até mesmo um olhar podem fazer um homossexual sentir-se mal. Há quem se suicide por causa disso. Há quem passe a vida a mentir, fechado num mundo de angústia e solidão. O respeito pela dignidade da pessoa humana, que para muitos já é imenso, é algo que fica muito aquém do Evangelho. Que pura e simplesmente nos obriga a um mandamento novo – o Amor.</p>
<p>Ana Glória Lucas</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/olharaintolerancia.wordpress.com/38/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/olharaintolerancia.wordpress.com/38/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/olharaintolerancia.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/olharaintolerancia.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/olharaintolerancia.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/olharaintolerancia.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/olharaintolerancia.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/olharaintolerancia.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/olharaintolerancia.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/olharaintolerancia.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/olharaintolerancia.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/olharaintolerancia.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/olharaintolerancia.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/olharaintolerancia.wordpress.com/38/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/olharaintolerancia.wordpress.com/38/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/olharaintolerancia.wordpress.com/38/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=38&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/homossexualidade-o-odio-a-diferenca/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f30be565773667e3e27d4565c57043bd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">div. temas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>A violência no mundo moderno &#8211; I</title>
		<link>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-i/</link>
		<comments>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-i/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 Sep 2007 13:34:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[ambição]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-i/</guid>
		<description><![CDATA[Friedrich Hacker Agressividade – a violência do mundo moderno Lisboa, Livraria Bertrand, 1972 (excertos) CALLEY: «TU MATARÁS» No mesmo dia em que em Los Angeles Manson e os seus amigos foram condenados à morte, um júri constituído por seis oficiais do exército dos Estados Unidos, reunidos no Forte Benning, declarou o tenente William (Rusty) Calley [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=37&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Friedrich Hacker<br />
<em>Agressividade – a violência do mundo moderno</em></p>
<p align="justify">Lisboa, Livraria Bertrand, 1972<br />
(excertos)</p>
<p><strong>CALLEY: «TU MATARÁS» </strong></p>
<p align="justify">No mesmo dia em que em Los Angeles Manson e os seus amigos foram condenados à morte, um júri constituído por seis oficiais do exército dos Estados Unidos, reunidos no Forte Benning, declarou o tenente William (Rusty) Calley culpado do assassínio premeditado de vinte e dois civis vietnamitas e condenou-o a prisão perpétua.</p>
<p align="justify">Depois de escutar a sentença e ainda antes de ser levado, o tenente Calley conseguiu ainda ter coragem para fazer a saudação militar. Nesse momento, desencadeou-se uma tempestade de indignação entre as pessoas que assistiam, uma indignação não contra os actos do tenente, mas contra a condenação que o atingia. No dia posterior ao do julgamento chegaram cem mil telegramas à Casa Branca: eram cem contra um a favor de Calley. Colocaram-se bandeiras americanas a meia haste em sinal de luto e de vergonha. O governador do estado de Indiana, Edgar Witcomb, veterano da Segunda Guerra Mundial, decretou luto público. Lester Maddox, vice-governador da Geórgia, assumiu um tom patético no decurso de uma conferência em que se reclamou a libertação de Calley em grandes gritos: «Deus abençoe o tenente Calley, que lutou pela causa da nação.» George Wallace, ex-candidato à presidência e actual governador do Alabama, declarou que considerava uma honra ter apertado a mão ao tenente Calley, a quem fizera uma visita espectacular. Tudo porque as vítimas do Vietname, inclusive civis, mulheres e crianças, tinham sido mortas para destruir o comunismo. Foi composto um hino guerreiro sobre o caso, cuja primeira estrofe é a seguinte: «O meu nome é William Calley, sou um soldado deste país que jurei cumprir o meu dever e vencer, mas chamaram-me um canalha&#8230;» Em três dias venderam-se cem mil discos e numa semana um milhão. As associações de veteranos recolheram somas enormes para Calley e transmitiram-lhe mensagens de simpatia. As antenas dos carros ostentavam folhetos que pediam a libertação de Calley. Milhares de homens foram apresentar-se às autoridades militares e acusaram-se de ter cometido crimes análogos. O «Diabo Verde», Robert Marasko, comovido pela condenação de Calley, decidiu anunciar na televisão que matara recentemente um espião do Vietname do Sul por ordem da C. I. A. Era assim e não podia fazer nada mais do que confessar. Os jornais declararam luto. O reverendo Michael Lord viu o reviver da paixão de Cristo no caso Calley. Declarou publicamente: «Há dois mil anos crucificaram um homem chamado Jesus Cristo; não acho que tenham necessidade de uma nova crucificação.» Uma indagação junto do público revelou que oito em cada nove americanos consideravam a condenação de Calley injusta.</p>
<p align="justify">O presidente dos Estados Unidos passou uma noite em claro e, depois, decidiu fazer sair Calley da prisão e mandá-lo para casa sob vigia. Declarou que, na sua qualidade de chefe supremo do exército, se reservava a última decisão sobre o assunto, dado que todos os meios judiciais estavam esgotados. Os militares responsáveis — não falo dos acusados, mas dos seus juízes — viram-se objecto de insultos sistemáticos. As famílias foram alvo de calúnias e ameaças e a polícia teve de as tomar à sua guarda. Depois de subtraídos à reclusão imposta ao júri, os dignos oficiais não entendiam a emoção geral.</p>
<p align="justify">Há anos a jurisdição militar tinha condenado, sem que por isso se tornasse objecto da atenção pública, algumas dezenas de soldados e oficiais por crimes análogos, se bem que não de tanta carnificina, cometidos em operações no Vietname. O facto não despertara interesse nem causara objecções.</p>
<p>Segue: <a href="http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-ii/">A violência no mundo moderno II</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/olharaintolerancia.wordpress.com/37/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/olharaintolerancia.wordpress.com/37/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/olharaintolerancia.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/olharaintolerancia.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/olharaintolerancia.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/olharaintolerancia.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/olharaintolerancia.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/olharaintolerancia.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/olharaintolerancia.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/olharaintolerancia.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/olharaintolerancia.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/olharaintolerancia.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/olharaintolerancia.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/olharaintolerancia.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/olharaintolerancia.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/olharaintolerancia.wordpress.com/37/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=37&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-i/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f30be565773667e3e27d4565c57043bd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">div. temas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>A violência no mundo moderno &#8211; II</title>
		<link>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-ii/</link>
		<comments>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-ii/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 Sep 2007 13:29:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[ambição]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-ii/</guid>
		<description><![CDATA[Friedrich Hacker Agressividade – a violência do mundo moderno Lisboa, Livraria Bertrand, 1972 (excertos) Anterior: A violência no mundo moderno I CALLEY: «TU MATARÁS» No decurso do processo Calley, que durara longos meses, os jurados oficiais tinham-se limitado a examinar, de acordo com a lei, as provas que as testemunhas, a defesa e o Ministério [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=36&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Friedrich Hacker<br />
Agressividade – a violência do mundo moderno<br />
Lisboa, Livraria Bertrand, 1972<br />
(excertos)</p>
<p>Anterior: <a href="http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-i/">A violência no mundo moderno I</a></p>
<p><strong>CALLEY: «TU MATARÁS»</strong></p>
<p align="justify">No decurso do processo Calley, que durara longos meses, os jurados oficiais tinham-se limitado a examinar, de acordo com a lei, as provas que as testemunhas, a defesa e o Ministério Público lhes apresentavam. Tinham-se mantido fiéis ao seu juramento e nada mais efectuado do que o cumprimento do dever. Estava para lá do âmbito da sua competência examinar o porquê que fizera recair a acusação sobre os ombros de Calley e não de outros, ou estudar os actos de outros soldados nesta ou noutras guerras. O tenente Calley era acusado do assassínio premeditado de cento e dois civis, velhos, mulheres e crianças, cometido em duas horas diferentes do mesmo dia, em My Lay. Ele mesmo admitiu ter disparado a curta distância (menos de um metro e meio) contra um fosso onde se encontravam dezenas de prisioneiros vietnamitas. Não verificara os resultados do seu procedimento. Mais de cem declarações de testemunhas afirmaram que Calley tinha atirado contra crianças indefesas que iam a fugir, que abatera prisioneiros desarmados e que, a pontapé, forçara os subordinados a atirar contra os civis presos no fosso. Quando Calley solicitou a benevolência do júri e pediu aos jurados que, pelo menos, lhe concedessem a vida, já que lhe tinham tirado a honra, o procurador-geral gritou que a desonra de Calley não se encontrava no veredicto, mas nos actos que cometera. Durante os dias que durou o debate, os jurados tentaram tudo para considerar Calley inocente, mas o processo demonstrara a cada um que os actos de Calley eram indiscutivelmente criminosos. Os jurados não concordaram porém num ponto: os crimes cometidos eram assassínios premeditados ou poderiam ser considerados num âmbito de menor gravidade? Foi pronunciada a acusação de assassínio premeditado numa maioria de dois terços.</p>
<p align="justify">As autoridades militares ficaram surpreendidas, chocadas e perturbadas pela reacção do público e do presidente. A princípio, e mercê de um espontâneo reflexo burocrático, tinham tentado proteger os direitos institucionais arquivando os múltiplos relatórios referentes aos massacres de My Lay entre os numerosos dossiers sobre assuntos análogos. O exército não desejava, evidentemente, chamar a atenção do público para acontecimentos semelhantes. Como as acusações, solidamente fundamentadas e reunidas por um corajoso jornalista, foram, no entanto, difundidas por todos, não se pôde evitar um processo sensacional. Grandes fracções da opinião pública não conseguiram acreditar que os soldados americanos fossem capazes de cometer tais horrores e consideraram as acusações como infames calúnias, cuja mentira se tornava necessário demonstrar publicamente; outros pensaram que se tratava de um caso isolado e que era necessário dar o exemplo através deste criminoso de uniforme. De qualquer modo, as autoridades civis mais elevadas, inclusive o presidente, não só exigiam o processo contra o acusado mas igualmente contra os oficiais de patente superior e generais que, a princípio, tinham tentado ocultar e falsear todo o caso.</p>
<p align="justify">As primeiras investigações do Estado-Maior relativamente às suas próprias (manobras para ressalvar o assunto não foram longe. O facto não surpreendeu ninguém. Não foi apresentada queixa contra o general Koster, que, na manhã do massacre de My Lay, inspeccionara o local de helicóptero, nessa altura ainda em paz, nem contra qualquer outro coronel ou general. Apenas Calley e os seus subordinados, bem como o seu superior imediato, o capitão Medina, foram chamados a responder pelos seus actos ante a justiça. Não vem a propósito discutir aqui se ao exército não restava outra hipótese para além de uma queixa contra Calley, uma vez divulgados os horríveis acontecimentos, ou se obedeceu, de vontade ou pela força, a autoridades civis superiores. A verdade é que o processo se iniciou e, a fim de restaurar a honra do exército americano, prosseguiu publicamente segundo as boas e incompreensíveis regras do direito jurídico.</p>
<p align="justify">Antes do mais, o resultado revelou-se catastrófico para o exército, a democracia e o direito. Numa noite o acusado foi promovido a herói nacional precisamente devido ao massacre que ele mesmo confessava ter cometido. O povo mostrou-se solidário em não aceitar a sua condenação, mas apenas nisso. Cada um acusava por um processo de generalização simplista. Em primeiro lugar, nada se passara. Em segundo lugar, os factos tinham sido largamente exagerados. Em terceiro lugar, o que acontecera processara-se ao serviço de uma boa causa. Em quarto lugar, as vítimas tinham merecido o justo castigo, uma vez que eram comunistas, simpatizantes dos comunistas, deles não se diferençando, ou viviam num país simpatizante do comunismo. Em quinto lugar, tudo acontecera no ardor do combate. Em sexto lugar, foram os outros a começar ou podiam tê-lo feito. Com a condenação de Calley, que escarneceu de todo o espírito de camaradagem e lealdade, o exército ficou manchado. Também, talvez, os oficiais superiores de carreira tivessem querido descarregar as suas próprias culpas sobre o seu infeliz subalterno, o tenente Calley. O general Westmoreland, que era, na altura, comandante-chefe americano no Vietname, defendeu-se irritadamente de toda e qualquer atribuição de culpa e de comparações com o general japonês Yamashita, executado após a Segunda Guerra Mundial e que fora considerado responsável por todos os actos do exército sob as suas ordens, mesmo que as ignorasse e não as tivesse podido impedir. As mais altas entidades do exército criticaram a intervenção do presidente, que tornara supérfluos e ridículos os penosos e fatigantes processos jurídicos e trouxera a liberdade a Calley. O exército apressou-se a declarar que Calley, mesmo sem a intervenção do presidente, nunca fora mantido sob detenção até recurso à sentença. Por outro lado, ignora-se o que acontecerá doravante às centenas de soldados que — não por massacre mas por embriaguez, faltas ao serviço ou roubo — têm de esperar meses seguidos na prisão a decisão ao seu apelo. O exército ignora porque se viu obrigado, contra sua vontade, a instaurar um processo criminal contra Calley e também o motivo pelo qual, seguidamente, foi humilhado, insultado, desprezado pela população, desautorizado e ridicularizado pelo seu chefe supremo, simplesmente por ter cumprido o seu dever ao seguir as ordens do presidente e ao obedecer ao desejo da opinião pública. Em que reside a honra do exército? Na dissimulação incondicional dos actos de todo o indivíduo que usa um uniforme, que age, crê agir ou declara agir ao serviço (estando incluído o massacre premeditado de civis e prisioneiros indefesos), ou na afirmação do princípio geral, que autoriza e incita mesmo à violência na guerra, se bem que dentro de determinados limites?</p>
<p>Segue: <a href="http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-iii/">A violência no mundo moderno III</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/olharaintolerancia.wordpress.com/36/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/olharaintolerancia.wordpress.com/36/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/olharaintolerancia.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/olharaintolerancia.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/olharaintolerancia.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/olharaintolerancia.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/olharaintolerancia.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/olharaintolerancia.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/olharaintolerancia.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/olharaintolerancia.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/olharaintolerancia.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/olharaintolerancia.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/olharaintolerancia.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/olharaintolerancia.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/olharaintolerancia.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/olharaintolerancia.wordpress.com/36/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=36&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-ii/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f30be565773667e3e27d4565c57043bd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">div. temas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>A violência no mundo moderno &#8211; III</title>
		<link>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-iii/</link>
		<comments>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-iii/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 Sep 2007 13:23:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>div. temas</dc:creator>
				<category><![CDATA[ambição]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[intolerância]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-iii/</guid>
		<description><![CDATA[Friedrich Hacker Agressividade – a violência do mundo moderno Lisboa, Livraria Bertrand, 1972 (excertos) Anterior: A violência no mundo moderno II CALLEY: «TU MATARÁS» O corajoso advogado geral militar Aubry Daniel III, descendente de uma família aristocrática do Sul, escreveu ao presidente dos Estados Unidos uma carta, respeitosa mas firme, tendo enviado uma cópia a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=35&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Friedrich Hacker<br />
Agressividade – a violência do mundo moderno<br />
Lisboa, Livraria Bertrand, 1972<br />
(excertos)</p>
<p>Anterior:<a href="http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-ii/"> A violência no mundo moderno II</a></p>
<p><strong>CALLEY: «TU MATARÁS» </strong></p>
<p align="justify">O corajoso advogado geral militar Aubry Daniel III, descendente de uma família aristocrática do Sul, escreveu ao presidente dos Estados Unidos uma carta, respeitosa mas firme, tendo enviado uma cópia a seis senadores pertencentes aos partidos republicano e democrático. Nela acusa a intervenção, sem precedentes, do presidente no processo em curso. Aos olhos do advogado geral, o apoio que a opinião pública e o presidente conferem a Calley é revoltante, dado que nenhum põe em dúvida a culpabilidade de Calley e é, portanto, exigido um veredicto de não culpabilidade. Esta legitimação de Calley não era compatível com a pretensão dos Estados Unidos a serem uma nação civilizada. Daniel qualificou My Lay como uma data trágica na história da nação. Para ele, o aspecto da tragédia reside no facto de que «considerações de ordem política vieram comprometer princípios éticos tão fundamentais como a implícita ilegalidade do assassínio de inocentes». Quanto às declarações do presidente americano, poderiam reunir-se num grito: «Fora o árbitro!» O vice-presidente, Spiro Agnew comparou My Lay, e todo o processo jurídico, a uma competição desportiva e aos comentários trocados, em seguida, à volta de uma garrafa. Nessa altura é fácil, mas bastante injusto, o que se possa dizer relativamente ao que fizeram os jogadores. Ora o exército, ao condenar o tenente Calley, aderira à estrita aplicação das normas de guerra que ele mesmo fixara. O presidente e a maioria da opinião pública acusaram-no, a partir de então, de agredir e martirizar o violador das regras que agira em legítima defesa e ao serviço de uma causa justa. Os testemunhos, provas e confissões não impediram que este esquema superficial se sobrepusesse à verdade.</p>
<p align="justify">O exército pouco se preocupa, na generalidade, com a autocrítica. Dado que a sua missão é a luta, a justiça não constitui a sua maior preocupação. Neste ponto de vista o vice-presidente tinha, indubitavelmente, razão. É difícil pedir ao exército que sirva de árbitro à sua própria causa. Cabe-lhe formar os civis dentro de uma obediência e execução das acções de combate que lhe estão implícitas e, evidentemente, também lhe compete a utilização da violência. Todo o exército luta pela civilização com a ajuda de meios por vezes bárbaros, sem o confessar abertamente, e até mesmo dissimulando o facto. Desde sempre que os exércitos cometeram crueldades, mas só as do adversário são comunicadas ao público. Dado que o exército, como o establishment, fora decretado como inimigo anónimo de todo o sentimento humano, cabia-lhe prescrever uma estratégia de violências contra a população civil e encobrir, por espírito de camaradagem, ocasionais transgressões às regras estabelecidas ou a simples e estrita aplicação das prescrições; era seu dever impedir que tais processos fossem divulgados. Que outra coisa se poderia esperar? Porquê a imposição ao exército de julgar o caso Calley?</p>
<p align="justify">Actualmente, a nação americana demonstra uma surpreendente unanimidade de recusa em relação ao veredicto que condena Calley, mas não consegue deglutir o problema da sua responsabilidade. Para não sufocar, necessita de substituir esta ou aquela imagem de Épinal.</p>
<p align="justify">Aos olhos dos que se consideram cem por cento patriotas, Calley é um herói e um mártir, um corajoso combatente que arriscou a sua vida para preservar a da nação; foi escolhido para porta-bandeira por uma camarilha de oficiais ambiciosos. Na guerra tudo é permitido, dizem eles; no ardor do combate não pode nem deve existir um regulamento pormenorizado; tanto a nossa boa causa como a causa negativa do adversário desculpam, de antemão, toda e qualquer forma de comportamento. Ninguém deveria dar-se ao luxo de criticar a acção de combatentes traumatizados pela morte de um camarada. Deixar a cada indivíduo a liberdade de decidir se deve ou não obedecer às ordens significa o mesmo que matar o exército. Todos os soldados cometem, sem hesitação nem arrependimento, actos semelhantes aos de Calley ou ainda piores. Se o tenente é culpado, todos os combatentes, desde a mais ínfima das patentes ao comandante-chefe, o são igualmente, o mesmo se aplicando aos detentores de poder civis, quer dizer: o povo americano, que tão energicamente se decidiu a defender e apoiar Calley.</p>
<p align="justify">Aos olhos dos pacifistas liberais, Calley não passa de um sintoma e de um símbolo. O seu caso é apenas uma prova retumbante dos homens de guerra e, sobretudo, desta guerra infernal do Vietname, dirigida contra uma população civil praticamente indefesa. Por razões directamente inversas, os opositores da guerra concordam com os patriotas ao declarar que os massacres de My Lay não constituem actos isolados de oficiais criminosos e loucos, mas factos vulgares na guerra. É também aos dirigentes, à autoridade suprema, que cabe pronunciar-se sobre o assunto. Nem Calley nem qualquer outro subalterno são culpados. A culpabilidade deve atribuir-se a todos os que ordenam, perpetuam e toleram o derramamento de sangue. É assim que uns acusam os que fazem a guerra e a condenam, enquanto outros condenam os que acusam a guerra: só se demonstram solidários na compaixão que revelam por este massacre.</p>
<p align="justify">A verdade é que os factos existem e enquanto não forem reduzidos ao esquecimento, ou transformados em esquemas simplistas, os dois partidos vão ver-se em sérias dificuldades para conciliar, de forma convincente, os seus pontos de vista com a lógica e a moral, se é que, aliás, se preocupam com isso. Eles pouco ligam à verdade objectiva e só lhes importa o triunfo de uma causa que consideram indiscutivelmente justa e verdadeira: a sua. Parece ter-se esquecido bem depressa que Calley não teve de responder pelos seus actos ante hippies cabeludos. Existe uma propaganda desenfreada que agracia o júri de Calley com ofensas geralmente reservadas a essa categoria de pessoas. Os que tiraram conclusões sobre o assassínio premeditado nem sequer eram simples cidadãos e juizes vulgares, mas seis experimentados oficiais de carreira, de entre os quais cinco tinham combatido no Vietname e aí recebido ferimentos de gravidade. Só o sexto oficial, o coronel a quem cabia a presidência do júri, não possuía a experiência da guerra do Vietname, mas era um combatente da Segunda Guerra Mundial e regressara da Coreia coberto de condecorações. Ainda que, no decurso do processo, a defesa não tivesse continuamente invocado as ordens recebidas e a legítima defesa frente a uma população civil hostil, bem como a psicologia de uma guerra como aquela, estes experimentados juízes militares não podiam ignorar que Calley estivera no Vietname, não por sua decisão voluntária, mas por obediência a ordens, e que era detentor do uniforme americano.</p>
<p align="justify">Calley não foi acusado nem condenado por ter cumprido o seu dever, mas por ter transgredido e violado: no caso de Calley não estava em causa uma acusação de ter faltado ao dever, proclamado como princípio solene quando do processo de Nuremberga, que se refere ao dever individual de revolta contra uma ordem desumana. Calley foi considerado culpado por ter abatido sem ter recebido ordens, por iniciativa pessoal e sem (necessidade militar, vinte e dois civis desarmados, quer por suas próprias mãos quer por intermédio dos seus subalternos, agindo por sua expressa ordem. Um tal comportamento é há muito tempo estritamente proibido segundo as regras internacionais de guerra. Já o era muito antes do processo de Nuremberga. Calley violou princípios universais, ele mesmo o confessou, e ainda que lhe sejam concedidas atenuantes, só uma designação se lhe adequara de criminoso.</p>
<p>Segue: <a href="http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-iv/">A violência no mundo moderno IV</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/olharaintolerancia.wordpress.com/35/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/olharaintolerancia.wordpress.com/35/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/olharaintolerancia.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/olharaintolerancia.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/olharaintolerancia.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/olharaintolerancia.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/olharaintolerancia.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/olharaintolerancia.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/olharaintolerancia.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/olharaintolerancia.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/olharaintolerancia.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/olharaintolerancia.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/olharaintolerancia.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/olharaintolerancia.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/olharaintolerancia.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/olharaintolerancia.wordpress.com/35/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=olharaintolerancia.wordpress.com&amp;blog=1407422&amp;post=35&amp;subd=olharaintolerancia&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://olharaintolerancia.wordpress.com/2007/09/27/a-violencia-no-mundo-moderno-iii/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/f30be565773667e3e27d4565c57043bd?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">div. temas</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>
